Rafael Carnevalli, poeta e educador, formado em letras, 
compartilhou suas experiências com nós da JS Filmes, a 
respeito de sua atuação na arte dentro do ramo educacional. 
Com um vasto histórico de participações de saraus, slam's e 
oficinas, o poeta visa inserir movimentos culturais e 
artísticos dentro das salas de aula das escolas públicas de 
São Paulo, onde atua como professor.


Em sua jornada pela poesia, Carnevalli já esteve em diversas participações, dentre elas, o coletivo Filhos de Ururaí, que atuou como Sarau, em bibliotecas públicas, e espalhando poesias pelas estações de trem e metrô de São Paulo.
Rafael está também na organização de movimentos culturais como o Slam do Corre, Slam Racha Coração, Slam função, e é um dos responsáveis pelo Sarau do MAP (Movimento Aliança da Praça), localizado na praça do Forró em São Miguel Paulista.
"Tem muito haver com aquela questão da acessibilidade, 
da renda, do transporte. Tudo isso é bem melhor 
e mais efetivo no centro, e a periferia é a margem de tudo.
 Então, desde que a gente começou este trabalho com o MAP 
a gente realiza esse trabalho nas ruas, nas praças, vielas,
escolas. Nunca foi um projeto privado ou pago pra entrar. 
Sempre foi em locais públicos, abertos e visíveis pra que a
informação possa circular. pra que a gente possa fazer esse
trabalho que a mídia não faz, pois ela só mostra desgraça 
na periferia. Crimes. Não mostra a movimentação artística e
cultural que vem sendo realizada por vários grupos. 
A Zona Leste é muito rica nisso. E o MAP tem contribuído 
para isso neste 5 anos. Para esta efervescência cultural e 
democratização de informação."

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O poeta volta em sua memória, e conta que em seu período como estudante de ensino médio e fundamental, não teve nenhuma experiência ou contato com a arte incentivada pelas escolas, ou professores, apontando assim, uma deficiência do sistema educacional brasileiro.  “Só depois que eu terminei a escola, que eu fui entender essa consciência artística, de o que é arte, e como funciona o poder artístico. E aí que eu vi, né…, nunca tive isso na escola, e percebi que alguns artistas já estavam trabalhando isso dentro das escolas, levando saraus, oficinas, e pensei ‘por que não?’. Se é uma coisa que eu senti carência na minha época, talvez eu possa contribuir agora para que outros jovens tenham essa proximidade e contato com a arte”. - Diz o nosso convidado.   
“Eu resolvi cursar letras, e percebi que é um problema do nosso país. Na minha sala de faculdade mesmo, haviam pessoas que não gostavam de ler. Pra ter um parâmetro que nosso país é um país que não lê. ˜ 
Ao dividir conosco suas experiências dentro de sala de aula, Carnevalli compara o formato das escolas com o sistema carcerário brasileiro, e incentiva o lado pensador e filósofo dentro dos jovens através da arte.  
        ˜O sistema que vigora nas escolas até hoje, é o mesmo sistema que foi criado na Prússia. Um sistema não de abertura e expansão da mente pro jovem ser crítico, filosófico e poético e sim essa concepção de que educação é obedecer ao estado. A própria palavra educação em sua raiz etimológica traz a questão da obediência. Uma coisa meio que de prisão mental. E eu acho que trabalhar a arte dentro da escola é fundamental pro jovem que, ao estar em contato com o universo da arte, quebra essa `educação`, é como se fosse uma desobediência civil, que parte dele mesmo, então quando a gente leva principalmente a poesia, literatura, música, teatro pra dentro da escola, isso tende a expandir a mente dessas crianças. Eles mesmos vão começar a se questionar, a questionar seu entorno, filosofar questões. E a partir daí o jovem já quebra paradigmas sociais, e começa a achar brechas dentro desse sistema de prisão, desde a estrutura física da escola, ate o método de ensino, que é um método que aprisiona a mente. E nesse tempo que tenho trabalhado com o MAP e com as oficinas individuais dentro da escola, eu tento plantar essa semente do pensar.
Não podemos deixar de enfatizar a importância da propagação de movimentos culturais e artísticos dentro das regiões educacionais periféricas. A cultura de Saraus e Slam`s, tem se reafirmado a cada dia, espalhando-se pelas mais variadas cidades e estados do Brasil, levando e incentivando o hábito da leitura e escrita em nossas crianças e jovens. Uma população que sabe se afirmar como produtora de cultura e arte, é uma população rica em mentes pensantes. Em pessoas participativas e cuidadosas com o bem-estar de sua própria comunidade. Os trabalhos de Carnevalli mostram-se nobres, em diversos pontos, principalmente pela preocupação em levar esses conhecimentos e informações para as regiões mais carentes de atividades voltadas ao lazer. Vemos pouco incentivo por parte do governo e prefeitura, que negligencia as escolas, e trata atividades culturais como extracurriculares, mesmo que estas atividades deveriam ser consideradas como   formação de base.                

fotos: 1 Monica Zarattini; 2 Folha; 3 allevents/

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